Conheça os 4 principais tipos de cruzamentos de cães

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Desde o início da domesticação de animais, o cruzamento entre indivíduos — semelhantes ou distintos entre si — é a maneira de obter características específicas para uma linhagem. Hoje, milhares de anos após os primeiros contatos com lobos selvagens, o aprimoramento das raças é o que move um criador de cães.

Contudo, os acasalamentos não podem ser realizados aleatoriamente, sem critério algum. É crucial que o dono do canil conheça muito bem os tipos de cruzamentos de cães para que consiga alcançar animais excepcionais, bem como evitar doenças e traços que possam prejudicar o bem-estar dos animais.

Para isso, é preciso ter algumas noções de genética, estudar e trocar ideias com outros criadores. Mas, para começar, veja a seguir como funcionam os principais métodos de cruzamento. Boa leitura!

Quais os tipos de cruzamentos de cães?

Antes de iniciarmos a nossa lista, é preciso destacar alguns pontos sobre os cruzamentos e a natureza dos cães. Em primeiro lugar, deve-se respeitar o tempo de cada cachorro para acasalar. Para os machos, as atividades podem ter início a partir dos 18 meses de vida. Quanto às fêmeas, o período varia conforme seus ciclos; entretanto, é recomendado que a cruza aconteça após o seu terceiro cio — que é quando a fertilidade e a maturidade sexual atingem seu ápice.

O cio das cadelas é o que indica a disponibilidade para acasalar. Ele dura em torno de 15 dias e, normalmente, é a partir do 8º dia que a fêmea passa a aceitar o macho — visto que a ovulação ocorre no 9º ou 10º dia após o início do cio e as chances de a fertilização dar certo são maiores.

A cadela pode acasalar até o fim do ciclo (ou até que comece a rejeitar o macho novamente) e é aconselhado que os cães fiquem por 1 a 2 dias juntos. Isso porque a gestação das cadelas dura em torno de 2 meses e, caso eles permaneçam muito tempo no mesmo ambiente, fica complicado saber o momento exato que ocorreu a fecundação e, consequentemente, mais difícil de prever quando será o parto.

Muito bem, agora, vamos aos principais tipos de cruzamentos de cães. Confira!

1. Inbreeding

O inbreeding é o acasalamento de cães com alto grau de parentesco (entre pais e filhos, entre irmãos e meio-irmãos), ou seja, com consanguinidade muito intensa. Esse tipo de cruzamento não é recomendado, mas, caso o criador deseje realizá-lo, é extremamente importante que ele seja muito experiente.

Essa é, sem dúvida, a maneira mais rápida de fixar uma característica, porém a prática também pode resultar em uma grande perda de tempo (e recursos, obviamente). Isso se deve pois quando animais muito próximos entre si são cruzados por duas ou três gerações seguidas, eles podem sofrer os efeitos da impenetrância, ou seja, os seus atributos — por mais excepcionais que sejam — não são passados adiante.

Isso significa que o criador pode obter ótimos exemplares resultantes de inbreeding, mas que não tenham o potencial para transmitir o seu patrimônio genético. Muitas vezes é necessário o uso de outro tipo de cruzamento (outcrossing) para que se recupere o vigor genético dos animais. Essa manobra resulta em perda do trabalho realizado por meio do inbreeding, visto que o outcrossing gera uma variabilidade genética que anula a fixação das características obtidas no inbreeding.

Esse tipo de cruzamento de cães reduz drasticamente a variabilidade genética, a principal desvantagem do inbreeding é que a consanguinidade afeta tanto qualidades quanto defeitos, ou seja, evidencia tanto um quanto outro. Entre os efeitos desfavoráveis estão a redução da fertilidade, da sobrevivência e do vigor da prole.

Close inbreeding

O close inbreeding é o exagero do ibreeding. É desaconselhado para a maioria das raças de cães e proibido em outras (como os pastores), pois eleva significativamente os resultados indesejáveis. Por isso, o criador responsável deve saber controlar o nível de inbreeding, jamais atingindo um alto nível de endogamia.

2. Linebreeding

Esse método também é conhecido como cruzamento linear e é feito entre cães com parentesco indireto — cães com antepassados em comum — como entre tios, sobrinhos, avós, primos etc. No linebreeding a consanguinidade é pouco intensa, principalmente porque se dá preferência à presença de indivíduos com pedigree.

O linebreeding é um sistema de cruzamento bastante seguro, mas a seleção dos exemplares deve ser muito bem avaliada e estudada pelo criador. Se essa escolha não for rigorosa, pode salientar os problemas e imperfeições do padreador. É uma boa prática intercalar um cruzamento outcrossing após alguns em linebreeding.

3. Outcrossing

O outcrossing é o tipo de cruzamento realizado entre dois cães provenientes de linebreeding, porém, de linhas de sangue distintas. Ou seja, nesse acasalamento não há consanguinidade próxima.

A primeira geração resultante do outcrossing tem uniformidade duvidosa e essa técnica é, geralmente, empregada como uma proposta de longo prazo para inserir determinadas características em uma linhagem que seja deficiente em alguma questão. Contudo, esses traços precisam ser intensificados por meio de inbreeding ou linebreeding.

4. Outbreeding

O outbreeding nada mais é que o cruzamento entre cães sem parentesco algum. É comumente realizado para fazer o controle qualitativo de características poligênicas, isto é, que são determinadas por mais de um gene. Entre elas estão o tamanho, o temperamento, a velocidade e a fertilidade. No outbreeding há o melhoramento genético da prole — ou vigor híbrido —, visto que nesse tipo de cruzamento é muito pouco provável que dois cães sejam portadores dos mesmos genes para uma característica indesejável.

Entre todos esses cruzamentos, existe o nicking: quando dois cães produzem ninhadas melhores ao acasalarem entre si do que com parceiros distintos. Esse é um grande achado e o cruzamento desses indivíduos deve ser valorizado, já que as suas características são potencializadas no acasalamento.

Quais os cuidados para realizar cruzamentos entre cães?

Como dissemos, é preciso que o criador de cães tenha muita experiência para realizar o inbreeding e o linebreeding, uma vez que a consanguinidade trabalha tanto em caracteres defeituosos quanto em características desejadas. O recomendado é que iniciantes pratiquem o outbreeding e o outcrossing.

Uma maneira de conseguir um pool gênico puro é cruzando cães da mesma raça, porém de canis distintos, cujos exemplares não tenham nenhuma relação de parentesco. Por exemplo, pode-se selecionar o mesmo formato da cabeça, a altura, a cor etc. e fixar tais características da mesma maneira como se tivesse sido realizado o inbreeding — porém, sem seus inconvenientes.

Tudo isso deixa bastante clara a importância do pedigree, pois o documento traz informações valiosas sobre os antecedentes dos cachorros, para que os cruzamentos sejam satisfatórios e não ofereçam riscos aos animais. Além disso, ser associado a uma entidade cinófila significa ter apoio, rede de contatos e fontes de conhecimento para o domínio dessas técnicas.

Os cruzamentos fechados são a base para a formação de uma linhagem pura, porém, para estabelecer uma linha de sangue é indispensável o uso de outros métodos de cruza. O criador deve ser consciente e não permitir que sua vaidade e seus interesses estéticos prejudiquem a saúde e o bem-estar dos seus cães.

O criador responsável, portanto, é aquele que estuda, aprofunda seus conhecimentos sobre os tipos de cruzamentos de cães e desenvolve suas habilidades para estabelecer o equilíbrio entre as diversas técnicas de cruzamento.

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